quinta-feira, 13 de maio de 2021

Vida

Não há dedos,
não há olhos,
não há sistema nervoso.

Só há uma ideia,
um embrião
e uma explosão de sentimentos.

Sentimentos estranhos.
É tudo igual, mas é tudo diferente.
"Sei que nada será como antes, amanhã!"

Tudo é preenchido de felicidade.
O medo cerca todas as possibilidades,
mas era sobre amor que vim escrever.

Um amor estranho,
um amor abstrato,
um amor idealizado.

Ainda não há toque,
ainda não há olhares.
Meu cerebro está borbulhando de sinapses inexplicáveis.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A dança da vida

Joga o dado
Toca pro lado
Marca o passo
Largue a bola
Beije a garota
Gol!

Cartas viradas
Jogo desmarcado
Tiro cruzado
Um fora
Zero a zero
Tchau!

Cartas marcadas
Dado viciado
Pisa no pé
Moédas falsas
Coração partido
Partiu!

Bola pro lado
Escanteio
Pega a manete
Dance sozinho
Nova música
A vida é assim.

Marque outro jogo
De reset
Troque o disco
Assuma o risco
A vida é um jogo
Sorte ou azar?

sábado, 8 de agosto de 2015

Lábios de morango.

O tempo correu.
Ela nem parece a mesma.
Mas é.
O mesmo sorriso,
Os mesmos lábios,
As mesmas manias.

Não, é ela!

Mas é tão diferente.
Cresceu.
Mente e corpo.
O sorriso agora mente.
Olhos outros.

Não é ela! 

É outra.
Mesmo é o amor.
Mesma amizade.
Mesmo carinho.
Suas manias, maninha...
Minha moranguinho.

Sim, é ela!

domingo, 2 de agosto de 2015

Bem vindo à vida!

Vejo um céu azul, cheio de pipas. O sol, forte, queima a pele depois de tanto tempo parado no mesmo lugar, na mesma varanda. Outro tempo. Tempos outros. Anos e anos.

A goiabeira cresceu. Hoje ela dá frutos, faz sombra, suja o quintal. As montanhas, no horizonte, diminuiram. O tempo passou. Tempos idos. Anos bem vindos.

Me olho no espelho. Não me enxergo. Vejo outro. Anos atrás. Anos mais velho. Anos perdidos (ou terão sidos ganhos?).

Parece que foi ontem. Parece que nada mudou. Não me lembro do ano passado. Nem do anterior. Ou do anterior. Ou do anterior...

Me lembro de ontem, cinco ou seis anos atrás. Eu. Não este eu. Outro eu, de outra vida. Vidas passadas. Vidas idas. Idas e vindas. Vidas bem vindas.

sábado, 1 de agosto de 2015

Quando dois corpos se bailam

O suor,
a pele,
mãos e pés,
ritmo, prosa e poesia.

Dois pra lá,
três pra cá,
Um giro simples,
Um simples olhar.

Não há som.
Não há palavras.
Não há verbo.
Nada ao redor.

Não é um som,
Não são dois,
Três são um,
E só.

São todos.
Para tudo!
É para todos,
For all.

sábado, 7 de abril de 2012

O Voo do Beija-Flor


A felicidade não bate na porta de ninguém. Ela entra sem ser anunciada. É como um bom amigo que chega chinga você, sua mãe, sua família, depois te da um abraço e diz: “Que saudade mano!”

A felicidade é como um beija-flor. Porém eles não gostam de lugares onde não se cultiva as espermatófitas.

É necessário aceita-la. É necessário querer que ela venha. Mas dela não se pode exigir nada. Apenas que ela aceite um cafezinho com biscoito de polvilho.


Venha beija-flor
Escolha sua cor:
Vermelho? rosa? violeta?
Escolha sua flor.

Beije-a
Sinta seu perfume
Enamore-se
Depois vá

Para que as outras flores
Possam também ser felizes.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Renascença

Imagem de:
http://serurbano.files.wordpress.com/2010/03/tempo-ciclico.jpg 




Nasce o dia,
as flores nascem,
tudo nasce.

Tudo um dia nasce,
Nasce o dia,
nasce um todo.

Tudo cresce,
O dia amanhece,
o tempo passa,
entardece.

Com o sol,
cai o dia,
Tudo cresce,
envelhece

Todo dia,
Tudo num dia.
Um dia tudo morre.
Morer é amanhecer em outra instancia.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vi um senhor na praça


Longa e branca barba; corpo magro, à excessão da levemente cheia barriga de quem possivelmente toma uma latinha de cerveja no final do dia, para relaxar; longos cabelos cacheados dum senhor que provavelmente cresceu contra a ditadura, ao som de um Led Zeppelin, Pynk Floyd e/ou Geraldo Vandré; Uma calça jeans cinza-claro e camiseta marrom com uma escritura ocidental.

O singelo senhor, de singular face, caminhava com seu pequno York Shire, ia e voltava,ia e voltava, como um senhor qualquer a se exercitar, a caminhar. Ele e seu York (o pequeno York), que o seguia de um lado para o outro. Caminhava. Talvez pensasse em algo (algo que não sei se pensava ou não).

Não parecia muito preocupado com a vida. Talvez tivera aproveitado tão bem a vida que tiveraque os problemas (se é que os tem) não significam mais nada.

Talvez ele tenha aproveitado tão bem a vida, que hoje só o que lhe importa é caminhar(com seu pequeno York Shire ao encalso).

Talvez tenha cantado todas as canções, gritado todos os gritos, chorado todas as tristezas, amado todos os amores.

Talvez tenha ido a todos os lugares que quis e tocado ( ou ao menos tentado) tocar todos os intrumentos que pode.

Talveztnha caminhado toda a highway,se dado conta do que fazia e assim (conciente de tudo) tenha vivido a vida com toda a intensidade que Roger Waters ou Robert Plant tenha permitido.

Talvez tenha sido tão realizado - não financeiramente, dinheiro é apenas um detalhe - , mas tão realizado que a unica imensa felicidade que precisa é caminhar na praça, ele, o velho senhor de longa e branca barba, e seu pequeno York Shire. E no final do dia, mais um gole de cerveja tomar. Irá brindar a longa vida que tivera, à sua prazerosa caminhada, e ao seu pequeno York, que tão alegremente o acompanha.

sábado, 21 de agosto de 2010

Para sua sorte, vote em D. Quixote

Sorte...
Que o Brasil(eiro) tenha muita mesmo, afinal, a grande maioria realmente só parece querer contar com ela.
Não fazem por onde. Não se importam com nada. Reclamam o dinheiro roubado (mas pouco importa quem o roubou). Reclamam pela saúde negligenciada, negada, inexistente para muitos.
Na escola, onde a educação não é lá grandes coisas, não se importam em procurar aprender qualquer coisa que possa ter alguma importância para sua vida.
 Dizem faltar investimento, realmente falta, não só destes políticos sem ética ou moral, mas falta também algo que acho que pode ser chamado de auto-investimento. Falta as pessoas diminuirem um pouco suas reclamações, a falácia e começar a agir um pouco. Não só agir para consigo mesmo, mas agir diretamente na tentativa de mudar isto que tanto nos incomoda.

Fernando Anitelli (o teatro mágico) disse um dia:
Não acomodar com o que incomoda.

Eleições no Brasil (para muitos) é como uma loteria (não me surpreenderia se fosse convidado para apostar nalgum bolão presidencial), onde as pessoas, ou pelo menos boa parte delas, não querem realmente fazer parte do sorteio, mas sim apostar e esperar que o número  (aleatoriamente) escolhido seja cegamente retirado da caixinha mágica do destino.

“Pare Dom Quixote, conte com a sorte”

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O garoto quixote e a menina dos olhos de estrela.


Alonso Quijano não conseguia dormir, tivera o que talvez fosse um dos melhores dias de sua vida. Deitado na cama, com um bobo sorriso, lembra-se claramente do momento em que viu pela primeira vez os olhos verdes (ou seriam azuis?) de Dulcinéia.

“Ah, doce Dulcineia”. Suave voz a cantar uma bela canção, que falava sobre uma linda bailarina e um singular soldadinho de chumbo. “Ah, Dulcinéia”, suspirava Quijano constantemente, ao se lembrar de cada curva daquele belo rosto de boneca de pano, que ele mapeara usando as mãos, marcando na memória cada traço de tão jovial face. “Ah, doce Dulcinéia”.

Quijano, encantado com singular dama, chamou-a para dançar. Os dois, formando uma linda ciranda de sorrisos e batimentos cardíacos, apenas conseguiam se olhar, sem nada falar, só olhar (olhos nos olhos). Era como se tudo o que pudesse ser dito não chegasse nem perto do que era transmitido (olhos nos olhos). Como se não houvesse mais um mundo ao redor, apenas os dois, a linda contralto e o maravilhado tenor, num carrossel. A se olhar. A girar. A se beijar. Olhos nos olhos. A se apaixonar. 
Encontrei a IMG aqui: http://www.marciomelo.com/1999/1999.htm

terça-feira, 27 de julho de 2010





Luiz acabara de escovar os dentes, bebeu um copo d’água para tirar o gosto de creme dental da boca, e sentou-se cama. Depois de tudo o que havia passado naquele dia, não poderia simplesmente deitar e dormir; jamais conseguiria realizar tão difícil tarefa. Sua cabeça estava a mil com todos aqueles pensamentos.


Após 2 segundos de intensa repressão, quis ir para rua, sentar-se-ia, como sempre, no chão da esquina. Ali, olhou para o quase limpo céu, estrelado, luado.

Algo não saia de sua cabeça: lera recentemente, no livro “O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse, algo sobre o suicídio; o quanto poderia ser um ato divino, cheio de autoconhecimento e até amor próprio e o quanto poderia ser cheio de covardia, abandono e egoísmo.

Decerto este ato poderia ser muito contrastante. Ele não concordava com as pessoas que se suicidavam, por mais que elas soubessem e quisessem. A vida era vista por ele como um caminho, onde o abandono do mesmo significaria fraqueza; ele não se via como uma pessoa fraca, porém, poucas vezes na vida sentiu real vontade de viver. Nunca conseguira responder sua pergunta mais angustiante, dentre as tantas outras que vivia se fazendo em momentos como este: “What the hell am I doing here?”

Observou a lua e viu que ainda estava cheia, assim como dias antes, quando voltava completamente realizado, enamorado, feliz para a casa, com a lua a lhe guiar. Ele via na lua uma constante contradição de sentimentos. Via nela tamanha tristeza e ao mesmo tempo alegria imensa, um confronto intenso, cheio de prazeres e dores.

Percebia a solidão que a Lua podia sentir, prostrada lá em cima. Enquanto girava lentamente ao redor de um planeta, onde os habitantes, que tanto diziam amá-la, não tinham sequer amor próprio. A Lua observava as estrelas, distantes, conversarem entre si, e, nesta interminável festa, brindarem o prazer de ter luz própria, coisa que ela, a Lua, jamais poderia ter. Porém, estava sempre a sorrir para todos. E Luiz não entendia o porquê desta inabalável alegria. Talvez fossem os enamorados, que possivelmente ela observava, escondida, pela varanda dalgum bar; talvez fossem as nuvens, que insistiam em tentar compartilhar o espaço com ela no céu; ou, talvez, fosse o Sol, que sempre dividia sua graça com ela, emprestando um pouco de sua energia para que ela se aquecesse e iluminasse nas noites frias.

Decerto o Sol devia ser um grande amigo (seriam eles apenas amigos?). Graças a ele a Lua podia brilhar e encantar pessoas como o Luiz, que em noites frias sentava-se no chão da esquina a se lembrar de bons e maus momentos de sua vida, a pensar coisas boas e coisas ruins; ele, que tanto amava a vida e aplaudia tudo que era criado pela mão da natureza, esta inspiradora artista, que, com sua agulha mágica, borda toda a essência do que nela É.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O sonho - Parte II

Caros leitores, (Não consigo gostar desta abordagem nem fudendo!! ¬¬')
Esta é a segunda parte da estória (ou história?) "O sonho".  Se você não leu a primeira, sugiro que leia antes desta, para a que haja a devida compreensão da mensagem que eu (acho) tento passar aqui.


Deixem seus comentários dizendo suas opiniões, critiquem por favor, caso hajam duvidas, perguntem, obviamente espero que voltem posteriormente, pois pretendo responder a todos comentários.


Mais uma vez, agradeço sua visita. Espero que goste. 

Ass: D. Quixote de La Mancha.

ôÕ

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Parte II



Acordou assustado.  – Que sonho estranho fora aquele? – pensou. Lembrava-se de cada detalhe, cada estrela que viu passar. Aquela luz, aquele “ser”. Parecia ter sido tão real (e não foi?). Com as costas doendo e sem entender nada, entrou e foi para o quarto dormir em sua cama.

Levou algum tempo para conseguir dormir. Ficou pensando no sonho que tivera há pouco. Diante de tudo aquilo se sentia tão pequeno. Por que razão ele estava ali afinal? Que merda de motivo ele tinha para existir. E aquela entidade que ele sentiu no final? Parecia que o observava também, mas como? Ele era tão pequeno. Seria impossível que ele fosse visto. Era como se ele tentasse enxergar dentro de si a estrutura dum átomo, a olho nu.

- Merda! Por que eu estou dando tanta importância para este sonho? Era só um sonho. Não era real. Tudo aquilo não passou de uma ilusão. – Algumas horas de insônia generalizada, e enfim dormiu.

Abriu os olhos e se viu novamente fora de seu corpo. “Droga! Não quero fazer esta viagem novamente”. Tentou com todas as suas forças voltar para dentro de si. Por mais que tentasse, ele não conseguia voltar. Tentou derrubar as coisas do seu quarto, fazer algum barulho para que acordasse, mas nada adiantava.

De repente se sentiu atraído para o seu corpo. Não poderia perder esta oportunidade, então simplesmente se deixou levar. Dentro de si, sentiu que ainda não havia voltado. De alguma forma ele sentia que era ele ainda, mas era como se tivesse percepção de cada músculo, cada órgão: estomago, coração, cérebro, fígado, glândulas salivares, vesícula biliar, todos os ossos, cada pêlo.

Era tudo tão complexo e ao mesmo tempo tão simples. Durante toda a vida acadêmica, foi um péssimo aluno de biologia, nunca entendera porra nenhuma da matéria, mas de uma coisa ele sabia: tudo aquilo o mantinha vivo, era parte dele mesmo.

Parecia que estava encolhendo, pois enxergava tudo tão claramente, mas ao mesmo tempo sabia que ainda estava do mesmo tamanho. Ele apenas estava sentindo seu ser.

Via suas veias e artérias, Via seu sangue passar de um lado para o outro. Via as substancias que o sangue levava. Via suas células, cada uma delas.

Ele sempre teve repúdio a filmes de terror ou suspense, ou qualquer coisa que mostrava um corpo aberto. Todo aquele sangue, aqueles órgãos sendo tirados e postos como se fossem apenas peças de uma máquina (e não eram??). Mas ali tudo aquilo parecia tão simples e ao mesmo tempo tão complexo. Para ele era lindo.

Teve curiosidade de saber o que mais poderia encontrar. Concentrou-se em suas células. Aqueles pedaços de vida que o compunham. Como poderiam estes conjuntos de substancias tão complexas se unir e dar vida a um ser? Até mesmo as bactérias que só têm uma célula são vivas, são alguém.

Lá dentro destas células ele via o núcleo, e dentro dele seu DNA. Certamente era aquilo que fazia dele quem ele é. Era tão complexo. Todas aquelas substancias estranhas que pareciam estar ali por estar, e ao mesmo tempo era tudo tão organizado como se elas quisessem e soubessem o que faziam ali.

Ele sabia que o que formava todas aquelas substancias eram os átomos, aquelas partículas minúsculas que perto das suas células não eram nada. Porém também eram tudo, formavam tudo ao seu redor, e se um átomo for removido do lugar errado, talvez todo seu sistema parasse de funcionar. Talvez ele morresse e tudo aquilo que então ele achava espetacular sumiria.

Agora ele conseguia perceber cada átomo e, dentro dos mesmos, cada elétron, cada próton e até os nêutrons. Lembrou-se do sonho, quando estava vendo toda a galáxia, e de como aquilo parecia um átomo. De fato eram tão parecidos, aquelas partículas minúsculas flutuando ao redor do núcleo numa dança tão belamente colorida.

E se houvesse algo mais ali por dentro? E se, como na galáxia, aquilo não fosse tudo? E se cada partícula daquela for um universo cheio de vida e energia? Se houvesse algo zilhões de vezes menor do que este “algo”? E se tivesse vida também? Assim como ele sonhou ter saído de seu corpo e viu todo aquele show de luzes e energia ao seu redor, este “algo” poderia sair e olhar para ele, e devido a toda a sua grandeza não conseguiria definir o que é. Talvez este “algo” dissesse que estava diante do anjo que acabara de ler nalgum livro, ou – vai saber – talvez até mesmo pensasse estar diante de Deus.

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Escutou então o alarme do celular tocar.
Era hora de levantar.
Tinha que ir trabalhar,
Mas vontade nenhuma tinha.

Se parasse para pensar,
Nada faria sentido.
Se parasse de pensar,
Vivo e feliz se iludiria.
Se nunca pensasse,
Jamais existiria.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O sonho - Parte I

Caros leitores, (credo, isso ta parecendo uma revista... ¬¬') rsrsrs
Há muito vinha pensando em escrever este texto (que foi escrito baseado na leitura de um trecho dum texto de Blase Pascal). E de fato o fiz. Mas devido ao tamanho do mesmo, achei melhor dividi-lo em duas partes. Ou melhor, ele já está naturalmente dividido, eu apenas vou postar respeitando esta divisão.

XD

Espero realmente que gostem...

ass: D. Quixote

ôÕ
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Parte I


Deitado no chão da varanda, ele estava catatónico. Não conseguia pensar em nada direito. Adorou o livro que acabara de ler. Livro este que dizia algo sobre uma garotinha com uma doença mortal, um anjo e um espelho.

Ele havia terminado há pouco e, surpreso, só conseguiu adormecer. Sua cabeça estava a mil. Eram tantos pensamentos que era como se não pensasse em nada.

Começou então a sonhar. No sonho ele saia de seu corpo (seria mesmo um sonho? Parecia tão real). De repente sentiu-se livre, como se pudesse ir a qualquer lugar (Qualquer lugar?). Logo se deu conta de que flutuava, então pensou: “vou onde homem algum foi... Vou além do universo, onde eu possa encontrar os anjos ditos nos livros. Quem sabe até eu possa me encontrar com Deus...”

Antes de sair olhou para si. Como dormia calmo e sereno. Estava seguro ali. Deitado na varanda de casa. Nada podia acontecer a ele. Ali era o seu lugar, tudo o pertencia, a tudo ele pertencia. De alguma forma ele era muito especial ali.

Subia rapidamente em direção ao céu. Algumas vezes olhava para baixo na tentativa de se enxergar, mas já não conseguia mais. Certo momento se deu conta de que podia ver toda a sua cidade. Percebeu então o quanto ele podia ser pequeno. Ali ele era apenas mais um cidadão entre milhares. Sua opinião não era tão significante sozinha, poderia ate dizer que ele não tinha voz. Era apenas um nome dentre tantos outros. Eram tantas histórias alheias em um mesmo lugar. Por que a dele haveria de ter alguma importância? Quis então continuar a subir, ir além. Quem sabe assim descobrisse o quanto valia sua vida perto do infinito.

Notou que quanto mais subia, mais rápido passava a ir. Via agora todo o pais, segundos depois os países vizinhos, o continente inteiro. Quanto mais se distanciava, mais percebia o quanto era pequeno próximo ao tamanho daquele planeta, que agora ele conseguia enxergar por inteiro. Do lado de fora percebia que a vida dele não tinha sentido algum. Provavelmente se ele desaparecesse neste exato momento, nada de realmente importante mudaria num contexto geral. Seus amigos sentiriam sua falta, sua família também, mas o mundo não. O planeta continuaria ali, flutuando ao redor do sol que – por causa da distancia já atingida – ele via como uma pequena bola, do tamanho de uma bola de futebol furada cujo ar saia aos poucos, tornando-a cada vez menor. 

Os demais planetas passavam rapidamente por ele como se fossem bolas de baseball, lançadas uma a uma, sem tempo para o rebatedor descansar. As luzes das estrelas eram pequenas linhas que surgiam e desapareciam à medida que ficavam para trás.

Ao sair da Via Láctea parou um pouco para observar. Todo aquele sistema complexo de estrelas, gases e planetas, o fazia se lembrar das aulas de química: os átomos, as menores partículas da matéria, esferas minúsculas e indivisíveis. Aquela galáxia o lembrava um átomo, porém ele sabia que não era tão indivisível assim, pois há alguns minutos atrás estava sentado na varanda, lendo um livro, num planeta que sequer conseguia enxergar daquela distancia. Certamente o planeta que ele vivia não parecia assim tão importante mais, era apenas o seu lar, mas o que isso deveria significar diante de tanta grandeza? Vida? Que importância tinha a vida perto daquele show de luzes? Ele tinha a resposta, e não era nada positiva.

Quanto mais ia além, mais notava a complexidade das coisas e mais confuso ficava. Todas aquelas galáxias passando uma por uma, às vezes duas de uma só vez. Como átomos que se agrupam, formando alguma espécie de molécula sem sentido. O que poderia haver no final disso tudo? Se o universo é mesmo tão infinito assim, como dizem os astrônomos, ele voaria infinitamente, talvez até se perdesse no caminho. Existiria mesmo um final?

Quis então pagar para ver. Já tinha decidido que não voltaria. Se houvesse algo ele descobriria. Mesmo que não entenda, ele continuará indo infinitamente. Não iria desistir agora que estava ali.

Fechou os olhos e foi o mais rápido que pôde, sentia que ia mais rápido que a luz, mais rápido do que poderia entender se abrisse os olhos. Parou de olhar o caminho e foi. Segundos depois (ou seriam horas, o tempo já não tinha valor algum) sentiu uma energia passar por seu corpo, era uma sensação tão viva. Abriu os olhos e notou que tudo ao seu redor emitia luzes de diversas cores diferentes. Olhou para trás e não conseguia mais distinguir o que era galáxia, parecia que tudo havia se juntado em uma coisa só. Uma coisa tão grande e viva que ele não sabia dizer o que podia ser. Dentro de sua inferioridade não conseguia enxergar tudo, apenas as coisas separadas, mas sentia dentro de si que por menor que fosse ele fazia parte daquilo.



segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pela longa estrada da vida...

São tantos caminhos, tantas decisões a tomar, tantas coisas importantes que parece que nada mais tem a menor importância...
Decidimos... Desistimos... Corremos... E quando assustamos, vemos que não fizemos absolutamente nada.
A vida parece girar constantemente. A vida parece transcorrer indefinidamente ao nosso redor. Mas a verdade (se é que isso existe) é que nada muda.
As pessoas que amamos e achamos que sumiram ainda estão lá, nós apenas nos esquecemos delas. Nossos sonhos, há muito abandonados, não sumiram de nossa mente. Apenas passamos ignorá-los com mais teatralidade. Nossa máscara de pessoa realizada já é utilizada como um utensílio básico para o dia-a-dia. Somos um bando de mentirosos, hipócritas e tolos.
Claro que também é uma grande tolice arriscar perder tudo o que se tem (mesmo não tendo porra nenhuma) para tentar realizar um sonho aparentemente impossível.
Só me pergunto o que fazer... Sinceramente não faço idéia.

Sabe quando vemos uma bifurcação para o futuro. Caminhos diferentes, dispostos à nossa frente para serem trilhados cada um de uma maneira diferente, única. Ambos parecem levar à felicidade, porém somente um pode ser escolhido...

Decisões........
Decisões.............
E mais decisões.............
Oh céus... Oh vidaa......................

sábado, 26 de junho de 2010

Be Yourself

Existem tantas coisas difíceis de fazer.

Chorar, viver, amar, SER...

A verdade é que perdemos tanto tempo de nossa vida procurando algo sem sequer saber o que é, que acabamos nos perdendo nesta busca.

Mentimos constantemente para nós mesmos. Mascaramos-nos para um baile à fantasia, pois sabemos que todos estarão lá tão travestidos quanto. Não estamos sós, não somos os únicos a se disfarçar com um punhado de mentiras. Não vivemos – isto é uma dádiva que ninguém pode ter.  O que fazemos é ignorar todos os nossos medos, anseios, amores.

Mesmo querendo realizar algo, não podemos fazê-lo, afinal não seria legal.

“O que os outros pensariam de mim se eu o fizesse?”

Esquecemo-nos de nós.

Deixamos a pessoa que amamos partir.

Disfarçamos nossas lágrimas com sorrisos hipócritas.


Eu me pergunto se não seria hipocrisia maior eu estar dizendo isto tudo.


O fato é: por mais que eu pense em minha vida, no quanto estou infeliz no momento, ou ate mesmo no quanto estou feliz – sim, por incrível que pareça eu tenho meus surtos de felicidade (e gosto tanto quando acontecem) – ou em seguir meus verdadeiros sonhos, sonhos simples, ilusões que eu possuo sobre como poderia ser meu futuro se eu fizesse o que realmente quero fazer, sei que não é tão simples. Não posso abandonar tudo. Já vivi uma vida tão amarga que tudo o que eu quero é que meus filhos não sofram o mesmo. 


O que eu quero dizer com isto tudo é: Viva. Apenas isso. Não pense que ser feliz é ter um carro legal. Não pense que ser feliz é ter dinheiro. Não pense que ser feliz é pegar todas as menininhas gostosinhas que você encontrar pela frente. Com certeza ajuda momentaneamente, mas não podemos nos esquecer que o que nos faz humanos e não robôs é o fato de termos sentimentos, de sermos capazes de amar alguém mais do que a nós mesmos.

Não jogue esta capacidade que nos torna tão divinos no lixo. Não se transforme em uma máquina feita para manipular os outros ou ser manipulada.

Chore, ame, viva, seja...


“Even when you've paid enough 
Been put upon or been held up
Every single memory of the good or bad
Faces of Luck
Don't lose any sleep tonight
I'm sure everything will end up alright
You may win or lose
But be yourself is all that you can do…”
 (Audioslave – Be Yourself)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Um vazio e um violão...

Sento-me sozinho no meio do nada para poder pensar. Isolo-me completamente deste mundo. Desta vida, que insiste em me cercar. De tudo. De todos.


Ao pensar, só, no meio do nada, sento-me. Penso sobre tudo. Sobre o divino. Sobre o eterno. Penso sobre tudo o que vem acontecendo em minha vida. Penso sobre meus amigos e sobre a falta que eles fazem; penso sobre minhas escolhas e o quanto parecem constantemente equivocadas; penso sobre o futuro pelo qual decidi lutar e sobre o quanto o odeio;

Sem nada ou ninguém por perto penso sobre meus amores, tanto os mais recentes quanto os que há tempos foram enterrados nas implacáveis areias do esquecimento.

No meio do nada, acompanhado pela solidão – esta doce dama que vem vestida de cetim para prostrar-se ao meu lado, que beija meus lábios sedentos por qualquer coisa que seja próxima de amor ou carinho –, penso no potencial que eu tenho para amar. Observando o esplêndido vazio que há no céu, Penso no potencial que eu tenho para não ser amado.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Insônia

No silêncio da noite a escuridão dos meus pensamentos faz ressoar em meu peito um sentimento gélido. Uma tristeza que parece ser sem fim.

Eu sei que tenho muitos amigos. E acredito que em muitos deles posso confiar, mas isto não impede que, quando eu encoste minha cabeça num travesseiro esta sensação tome conta de mim.

Meu coração, cansado de bater,  quase para.

Meus olhos, escondidos, brigam com minhas pálpebras relutantes em se fechar.

Meu cérebro não me deixa dormir.

E assim, sempre assim (ou pior), provo essa sensação homicida, chamada solidão.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Filosofemos:

Where am I?
Who am I?
Why am I?
Am I?
I?


A vida é assim, existir num mundo que flutua a esmo pelo universo, dando voltas em um pequeno astro, denominado Sol.
Nos enganarmos com o fato de, talvez, sermos os mais sábios dentro de "nossa propriedade".
Sofrer, cruelmente, o castigo de não sabermos absolutamente nada.

"Viva à ironia que há em ser irônico"
¬¬'

sábado, 22 de maio de 2010

Poema antigo (se não me engano, de 2008), mas ultimamente tem retratado bastante do que eu sinto:



Saudade, às vezes bate.
E dói. Dói muito. Dói tudo.
Saudade muda a gente.
Transforma tudo.
Transforma músculos em bombas...
Estou sentindo
Que meu peito vai explodir
A qualquer instante.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O mensageiro das almas dos que virão ao mundo

“Como era diferente”. Pensava ele, lá de cima. “Eu era tão feliz”.

Realmente era. Não haviam compromissos, não haviam obrigações e as que haviam ele simplesmente ignorava. É verdade que ele também não tinha dinheiro algum, mas com isto ele não se importava.
Ele tinha amigos, grandes amigos. Ainda se lembra claramente, como se fosse ontem (e não foi?): eles estavam todos sentados em roda no pátio da escola, era o ultimo dia de aula, mas não o ultimo como amigos, eles jamais deixariam de ser amigos. Trocavam abraços, trocavam gargalhadas estridentes. Ele tocava violão, tocava musicas que o lembrava o quanto se sentia feliz em ter aquelas pessoas ao seu lado. Parecia que só haviam eles por lá.

As outras pessoas jamais conseguiram entender de onde vinha tanta união, tanta felicidade.

Ele e seus amigos faziam juramentos, jamais iriam se separar, não poderiam deixar o tempo afastá-los. Suas amizades seriam eternas.

Após anos, sentado na pedra mais alta da solidão, ele se pergunta: “O que é a eternidade?”

♪♫♪♪
“Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre, sempre acaba..."
♪♫♪♪