quinta-feira, 15 de julho de 2010

O sonho - Parte I

Caros leitores, (credo, isso ta parecendo uma revista... ¬¬') rsrsrs
Há muito vinha pensando em escrever este texto (que foi escrito baseado na leitura de um trecho dum texto de Blase Pascal). E de fato o fiz. Mas devido ao tamanho do mesmo, achei melhor dividi-lo em duas partes. Ou melhor, ele já está naturalmente dividido, eu apenas vou postar respeitando esta divisão.

XD

Espero realmente que gostem...

ass: D. Quixote

ôÕ
__________________________________________________


Parte I


Deitado no chão da varanda, ele estava catatónico. Não conseguia pensar em nada direito. Adorou o livro que acabara de ler. Livro este que dizia algo sobre uma garotinha com uma doença mortal, um anjo e um espelho.

Ele havia terminado há pouco e, surpreso, só conseguiu adormecer. Sua cabeça estava a mil. Eram tantos pensamentos que era como se não pensasse em nada.

Começou então a sonhar. No sonho ele saia de seu corpo (seria mesmo um sonho? Parecia tão real). De repente sentiu-se livre, como se pudesse ir a qualquer lugar (Qualquer lugar?). Logo se deu conta de que flutuava, então pensou: “vou onde homem algum foi... Vou além do universo, onde eu possa encontrar os anjos ditos nos livros. Quem sabe até eu possa me encontrar com Deus...”

Antes de sair olhou para si. Como dormia calmo e sereno. Estava seguro ali. Deitado na varanda de casa. Nada podia acontecer a ele. Ali era o seu lugar, tudo o pertencia, a tudo ele pertencia. De alguma forma ele era muito especial ali.

Subia rapidamente em direção ao céu. Algumas vezes olhava para baixo na tentativa de se enxergar, mas já não conseguia mais. Certo momento se deu conta de que podia ver toda a sua cidade. Percebeu então o quanto ele podia ser pequeno. Ali ele era apenas mais um cidadão entre milhares. Sua opinião não era tão significante sozinha, poderia ate dizer que ele não tinha voz. Era apenas um nome dentre tantos outros. Eram tantas histórias alheias em um mesmo lugar. Por que a dele haveria de ter alguma importância? Quis então continuar a subir, ir além. Quem sabe assim descobrisse o quanto valia sua vida perto do infinito.

Notou que quanto mais subia, mais rápido passava a ir. Via agora todo o pais, segundos depois os países vizinhos, o continente inteiro. Quanto mais se distanciava, mais percebia o quanto era pequeno próximo ao tamanho daquele planeta, que agora ele conseguia enxergar por inteiro. Do lado de fora percebia que a vida dele não tinha sentido algum. Provavelmente se ele desaparecesse neste exato momento, nada de realmente importante mudaria num contexto geral. Seus amigos sentiriam sua falta, sua família também, mas o mundo não. O planeta continuaria ali, flutuando ao redor do sol que – por causa da distancia já atingida – ele via como uma pequena bola, do tamanho de uma bola de futebol furada cujo ar saia aos poucos, tornando-a cada vez menor. 

Os demais planetas passavam rapidamente por ele como se fossem bolas de baseball, lançadas uma a uma, sem tempo para o rebatedor descansar. As luzes das estrelas eram pequenas linhas que surgiam e desapareciam à medida que ficavam para trás.

Ao sair da Via Láctea parou um pouco para observar. Todo aquele sistema complexo de estrelas, gases e planetas, o fazia se lembrar das aulas de química: os átomos, as menores partículas da matéria, esferas minúsculas e indivisíveis. Aquela galáxia o lembrava um átomo, porém ele sabia que não era tão indivisível assim, pois há alguns minutos atrás estava sentado na varanda, lendo um livro, num planeta que sequer conseguia enxergar daquela distancia. Certamente o planeta que ele vivia não parecia assim tão importante mais, era apenas o seu lar, mas o que isso deveria significar diante de tanta grandeza? Vida? Que importância tinha a vida perto daquele show de luzes? Ele tinha a resposta, e não era nada positiva.

Quanto mais ia além, mais notava a complexidade das coisas e mais confuso ficava. Todas aquelas galáxias passando uma por uma, às vezes duas de uma só vez. Como átomos que se agrupam, formando alguma espécie de molécula sem sentido. O que poderia haver no final disso tudo? Se o universo é mesmo tão infinito assim, como dizem os astrônomos, ele voaria infinitamente, talvez até se perdesse no caminho. Existiria mesmo um final?

Quis então pagar para ver. Já tinha decidido que não voltaria. Se houvesse algo ele descobriria. Mesmo que não entenda, ele continuará indo infinitamente. Não iria desistir agora que estava ali.

Fechou os olhos e foi o mais rápido que pôde, sentia que ia mais rápido que a luz, mais rápido do que poderia entender se abrisse os olhos. Parou de olhar o caminho e foi. Segundos depois (ou seriam horas, o tempo já não tinha valor algum) sentiu uma energia passar por seu corpo, era uma sensação tão viva. Abriu os olhos e notou que tudo ao seu redor emitia luzes de diversas cores diferentes. Olhou para trás e não conseguia mais distinguir o que era galáxia, parecia que tudo havia se juntado em uma coisa só. Uma coisa tão grande e viva que ele não sabia dizer o que podia ser. Dentro de sua inferioridade não conseguia enxergar tudo, apenas as coisas separadas, mas sentia dentro de si que por menor que fosse ele fazia parte daquilo.



6 comentários:

taylor disse...

oi vc gosta de suco de caju???

Cavaleiro da Triste Figura disse...

Não!!

Com Ou Sem Senso disse...

Medo. Nunca fiz viagem assim nem pretendo.

Disse que não gostou do texto.

Eu gostei, porque é de arrepiar.

Abraço, cara!

Cavaleiro da Triste Figura disse...

err... não entendi.

primeiro vc disse "Disse que não gostou do texto."

depois: "Eu gostei, porque é de arrepiar."

ôô'

não entendi se você goutou do texto ou não...

mas enfim.
só por você ter lido já fico satisfeito.
espero que tenha lido a segunda parte também, ela é tão importante quanto a primeira (se é que elas têm alguma importancia ne).

Com Ou Sem Senso disse...

Desculpe, Cavaleiro. Houve uma falha na comunicação aqui.

Explico: eu havia entendido que você não tinha gostado de sua própria postagem, quando afirmou (na segunda parte do Sonho) que não gostava "da abordagem nem fudendo".

Por isto é que falei "Disse (você) que (você) não gostou do texto".

Mal entendido resolvido, não?

A propósito, não gosta de um "caros leitores" nem quando ele pode aumentar a ironia de um texto? ;)

Abraço

Cavaleiro da Triste Figura disse...

rsrsrs

Mal entendido resolvido então.

Quanto à abordagem, se for posta com ao menos o mínimo de ironia tudo bem. adoro.
Mas não foi bem o caso. (eu acho)
Eu estava pensando em colocar um comunicado e surgiu com o vento que eu estava vendo passar na frente do monitor: "Caros leitores".
Será que foi algum tipo de ironia inconsciente? OO'
rsrs
Bem que pode ser, neste caso retiro o que disse sobre não gostar da abordagem, senão continuo achando um tanto clichê, e até superfula.

Não obstante, consideremos a abordagem inicial um acidente da vida e façamos como fazemos com todas as coisas que nós, brasileiros fazemos quando algo nos incomoda... Nos acomodemos!! ¬¬'

abraço.

Postar um comentário