segunda-feira, 22 de março de 2010

Quando um dia nos morremos

Era uma vez, um garoto. Este garoto tinha alguns amigos, aliás, tudo o que ele tinha eram seus amigos. Tudo para ele era a amizade. Para ele isto estava acima de qualquer outra espécie de amor. Sim, pois amizade nada mais é do que o amor fraternal. As outras formas de amar nada mais eram do que brotos, ramificações e floreamentos desta semente única.
Ele tinha seus valores éticos: não matar ninguém,  pois a vida dos outros é tão importante quanto a sua própria. Não perder tempo discutindo temas subjetivos, como religião ou futebol (ele nem sequer gostava de futebol!). Respeitar a opinião dos outros. Olhar sempre para os dois lados antes de FALAR, etc... Mas nada, nada era tão sagrado para ele quanto amizade. Nem mesmo a família. Para ele amizade é a família que a gente escolhe ter.
E era exatamente por sempre ter escolhido seus amigos de forma tão seletiva, que ele sempre estava do lado deles, mesmo quando, algumas vezes, alguns poucos não viam isso. Ele não se importava se seu amigo reconhecia seus atos ou não, ele não os fazia para impressionar, ele os fazia porque era o que ele achava correto. E por isso mesmo, muitos de seus amigos o reconheciam como uma grande pessoa. 
Porém não eram todos, alguns poucos não podiam enxergar o quanto ele os amava. E essas pessoas acabavam magoando ele diversas vezes. E de tanto eles pisarem na bola, ele desistia dessas pessoas e isso o machucava muito, era como se alguém estivesse pouco a pouco enfiando alfinetes dentro de seu coração. Quando ele resolvia esquecer essas pessoas, era como se pedaços de sua alma estivessem sendo arrancados por suas próprias mãos. Isso doía tanto nele. Muitas vezes ele sentia vontade de chorar, mas não chorava. Ele era tão forte, era o elo mais forte da corrente, mas não era forte o bastante.
Aos poucos ele ia se sentindo mais e mais corroído. Aos poucos, ele se sentia mais vazio. Seu único alicerce eram os grandes amigos que ainda restavam (Mas, qual era mesmo a sigla que nos usávamos para nos referir a eles? ).
Na ultima vez que eu o vi – Ai, que saudade do meu amigo - ele estava tão feliz, ele estava tão empolgado com a festa de nossa amiga (qual é mesmo o nome dela?). A festa não durou muito para ele. Ou melhor, durou o mesmo tanto que para nos, mas para ele a festa chegou ao fim no exato momento em que duas grandes amigas nossas terminaram com o seu sofrimento. A festa, para ele, terminou no exato momento em que ele morreu.

Dedico este texto a todos amigos e amigas que, mesmo sem saber, destroem a alma de quem tanto os ama.

7 comentários:

Rogue disse...

Cara que triste o final... A morte, se eu tivesse um amigo assim eu o valorizaria demais.
Como assim duas grandes amigas acabaram com o sofrimento dele?
Bom ele foi pra um lugar melhor, pelo menos.

BJOs,
Rogue

Cavaleiro da Triste Figura disse...

elas acabaram com o sofrimento dele no sentido mais literal possivel... elas o mataram realmente... mas nao posso dizer q essa pessoa morreu no sentido fisico da coisa... essas amigas apenas terminaram com algo que estava em estado terminal. Elas terminaram, ou talvez nao, com o pouco que tinha restado de sua despedaçada alma...

talvez ele tenha realmente ido para um lugar melhor, talvez nao... isso é algo que no momento eu nao sei dizer!

Coyote disse...

"Aos poucos ele ia se sentindo mais e mais corroído. Aos poucos, ele se sentia mais vazio. Seu único alicerce eram os grandes amigos que ainda restavam"

Ele não deve se deixar corroer, pois ele tem grandes amigos, que estão dispostos a ajudar sempre que precizar.

taylor disse...

descubra o valor da vida ,na vida que existe do protosoario que vive na bunda da rã

Cavaleiro da Triste Figura disse...

essa foi profunda heim.... literalmente!!

Ana Agarriberri disse...

Cara, muito bom, parabéns. Te seguindo já. Passa lá no Molhe-se:

http://molhe-se.blogspot.com/

Beejo.

Cavaleiro da Triste Figura disse...

OBRIGADO ANA...
tb gostei muito do seu blog.. to seguindo lah

bjin's!!

Postar um comentário